Difícil ver a transmissão da TV Câmara ontem, 17/04/2016, e permanecer inerte. Tenho tentado me manter neutro em relação ao cabimento ou não do impeachment, por todos esses meses, às vezes pensando que sim, há crime de responsabilidade fiscal cometido por Dilma Rousself, às vezes considerando que não há como destituir um presidente por ter praticado uma conduta reiterada em mandatos anteriores ao seu apenas porque o Tribunal de Contas da União mudou de entendimento. Não é sobre isso que quero falar.

“Constituição da República, art. 1º, parágrafo único. Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.”

Assistir trechos da votação sobre a admissibilidade ou não do processo de impeachment, que agora segue para o Senado Federal, me provocou um sentimento de repulsa sobre nossos representantes. Foi o povo quem escolheu esses deputados federais para representá-lo no Poder Legislativo. Os ideais nobres que pautaram o Estado Democrático de Direito são reduzidos a mini-discursos inflamados por pessoas que aparentemente não entenderam o que estão fazendo na bancada, exceto misturar seus interesses particulares, rasos, vulgares, e transformar seu tempo de votação em mais uma forma de aparecer.

Vociferar para um microfone com escárnio e desdém, enquanto a plateia ou aplaude ou vaia, demonstra que o que acontecia antes, em peso, apenas nos estádios de futebol, também acontece no âmbito político. Enquanto a votação ia chegando ao fim, escutei fogos de artifício, como se o time daquela torcida ganhasse a partida; amigo meu de outro Estado faz uma gravação de áudio de sua janela e, ao escutar, mais fogos de artifício e buzina de carros.

Preocupa-me a falta de conhecimento, reflexão e aprofundamento sobre esse novo campo de interesse do povo brasileiro. A política do pão e circo prevalece forte: basta um espetáculo que mexa com os brios da massa de manobra para o povo, aquele, que se mostra uma extensão dos que estão no Congresso Nacional, achar que ganhou, que o país está a salvo. Salvo do quê, mesmo?

 

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