Impeachment

Uma perspectiva Anonymous
publicado originalmente em 3 de setembro de 2016 Anonymous FUEL Anonymous

Este texto é o resultado de algumas pesquisas nossas, somado à participação de nossa comunidade virtual em debates ao longo dos últimos dias. O texto também foi levado para outras equipes Anonymous com quem mantemos contato para que pudessem também nos dar suas impressões, o que resultou neste produto final. Agradecemos a quem se dispôs a colaborar de alguma forma. Somos um!

1. O que é um impeachment?

Primeiramente, precisamos entender que o impedimento (impeachment) de um presidente está previsto na Constituição de 1988, nos artigos 85 e 86, bem como na Lei 1.079/50 (“Lei do Impeachment”). Para que ele aconteça, o presidente deve ser afastado após a comprovação de um ou mais crimes de responsabilidade (definidos no artigo 4º desta lei).

2. Aspectos jurídicos do processo

Desde março de 2015, foram efetuadas 46 denúncias por crime de responsabilidade contra Dilma Rousseff. 45 deles foram negados por inconsistências. As acusações variavam de críticas à “má gestão” e até a nomeação de Lula ao Ministério da Casa Civil (que não configuram crimes de responsabilidade). Uma delas, contudo, foi aceita por Eduardo Cunha, então presidente da Câmara dos Deputados.

A denúncia do ex-procurador Hélio Bicudo e dos advogados Janaína Paschoal e Miguel Reale Júnior, encomendada pelo PSDB (partido da oposição) por 45 mil Reais, acusava Dilma de efetuar pedaladas fiscais e abrir créditos suplementares. Pedaladas fiscais são atrasos no repasse do Tesouro a bancos públicos encarregados da operação financeira de alguns programas sociais. Pode-se argumentar que é uma maneira de cumprir artificialmente o orçamento, mas não é crime de responsabilidade segundo a lei. O que ocorre é que em 2015 houve mudança de jurisprudência no TCU (Tribunal de Contas da União), de modo que se as pedaladas ocorressem depois dessa alteração poderiam sim ser consideradas crime de responsabilidade. Mas a lei nesse caso não é retroativa, então não se justifica crime.

Segundo a lei Orçamentária Anual vigente na abertura de créditos suplementares (aprovada, inclusive, pelo Congresso), este processo também não configura crime de responsabilidade, mas ocorre aí uma divergência de interpretações, que é a parte mais complexa do processo e divide as pessoas entre “é crime” e “é golpe”.

O ponto crítico, de maneira simplificada, é a assinatura de decretos pela ex-presidente a partir de dezembro de 2014 para abertura de crédito sem autorização do Congresso. Qualquer comprometimento ao orçamento, contudo, deve ser efetuado por lei (com aprovação do Congresso) que autorize a abertura desses decretos. No entanto, ações orçamentárias e financeiras têm características diferentes. A LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) orienta e planeja, mas não representa necessariamente a realidade fiscal, de modo que baixa arrecadação ou despesas imprevistas do governo podem pedir mudanças na estratégia financeira. Se a adaptação não descumpre o orçamento, então não se pode considerar um crime de responsabilidade. Tanto é assim, que muitas prefeituras, governos estaduais e inclusive o governo federal já usaram a estratégia.

Outro ponto relevante é que, segundo a AGU (Advocacia Geral da União) teriam ocorrido uma série de abusos de procedimento, principalmente por parte de Eduardo Cunha. Esses esclarecimentos se fazem necessários para deixar claro que os aspectos jurídicos do processo são bastante frágeis, apresentam dependência de interpretação e, num português mais direto, houve muita “forçação de barra” por parte da acusação.

3. Questões políticas e a trama do Congresso

Várias denúncias de corrupção pesam sobre Eduardo Cunha, de modo que ele ficou “na reta” da cassação. Além disso, a operação Lava Jato vinha caminhando num passo acelerado e já havia condenado e prendido inclusive membros do próprio governo e empresários importantes dentro de grandes empreiteiras (como a Odebrecht). Foi a primeira vez que uma operação federal atacou, de fato, o coração da corrupção institucional. Não somos nós quem vai dizer os porquês. Não existe boa intenção nesse nível da política, e é provável que o PT tenha aproveitado os primeiros mandatos na busca de estabilidade econômica para ter peito e bater de frente contra alguns desses esquemas que sempre mantiveram o Brasil nas mãos de alguns donos. E veja, o processo não é necessariamente pra libertar o país, mas provavelmente para mudar de donos.

Vários momentos do governo federal petista sinalizaram isso. A formação e encaminhamento do BRICS é um exemplo. Não se trata de negar o neoliberalismo e o imperialismo, mas de tentar consolidar um novo eixo no qual ocupamos uma posição de maior destaque, menos subserviência, porém dentro do mesmo jogo. Isso mudaria um pouco como as coisas funcionam por aqui. O Brasil ainda sofre muita influência da política do eixo EUA-UE (Estados Unidos e União Europeia), frequentemente se colocando como seu cão de guarda na América Latina. De modo resumido, iniciamos um processo de transição do capitalismo azul para o capitalismo vermelho.

Isso incomodou muitas das oligarquias nacionais, que são as famílias tradicionais que mandam nesse país há décadas (algumas, há séculos). Essas são as famílias cujos membros ocupam função de diretoria nas maiores empresas do país, representam seus conglomerados econômicos e ganham as eleições por força de propaganda e investimento, ocupando as cadeiras da Câmara Federal e do Senado.

Pois é, muita coisa de uma vez, incomodando muita gente com poder. Agora, um ingrediente fundamental dessa sopa, que não pode ser deixado de fora, foi a gestão econômica de Dilma. No final de seu primeiro mandato, a fim de garantir as eleições, a então presidente se valeu de pesadas intervenções na economia, sobretudo no setor energético e sobre o Banco Central. A curto prazo, a medida foi efetiva, mas gerou a instabilidade econômica que estamos vivendo agora.

Aproveitando esse cenário, a oposição iniciou o processo de modo que o governo se viu temporariamente congelado, e junto do afastamento da presidência, o país ficou refém da própria situação. Para a opinião popular média, não importa se houve crime ou não, importa o preço do feijão. Desse modo, foi possível manipular a opinião pública pela rejeição da presidente, deixando-a mais frágil politicamente e aumentando as chances de o processo resultar em seu impeachment.

A Lava Jato está parada, Cunha está temporariamente fora da mira (e, se for cassado, ainda representa um sacrifício que valeu a pena), o PMDB continua mandando politicamente no país e, também importante, a política externa brasileira está abalada. Os rumos sobre quem estará do nosso lado ou contra nós daqui pra frente são bastante incertos, o que facilita uma guinada pra qualquer dos lados.

4. Foi golpe ou não foi?

A pergunta de um milhão de dólares tem dividido o país quanto à leitura desse episódio (o que não significa que outras profundas divisões já não estivessem presentes em nossa sociedade desde seu princípio, vamos deixar isso claro). E a coisa não é tão simples. Não se trata de ser a favor ou contra o impeachment, mas de uma série de ponderações que tentaremos resumir aqui.

A parte fácil de entender é que temos uma oposição cujo projeto político é financiado por elites, favorável ao processo de impeachment. Para essas pessoas, não é golpe. Se trata de um procedimento jurídico justificado sobretudo pela gestão econômica do governo petista. Apesar da acusação de crime ser mais restrita à questão da abertura de créditos, as justificativas apresentadas durante o julgamento, tanto pela promotoria de acusação quanto pelos deputados e senadores que a apoiavam, rodou em torno da forma como a presidência geriu o país economicamente. Ficou evidente para quem acompanhou o processo que esse é o “x” da questão. Aliado a esse grupo também está a parte do povo brasileiro que não concorda com essa gestão econômica (e se alinha à oposição) ou está num estado de insatisfação política que acredita que deve começar por algum lugar, na esperança de que desse processo decorram mais cassações e se derrube um a um dos envolvidos em casos de corrupção.

Na contramão, temos a base governista, cuja participação política no país também é financiada por elites, porém contrárias ao processo de impeachment porque se beneficiaram dos últimos anos de governo. É importante ressaltar aqui que o governo petista não foi “para o povo” como se faz parecer em algumas de suas propagandas e de seus aliados. Foi apenas uma outra forma de gerir o Capitalismo de Estado, entendida por alguns como mais humana. As políticas de assistência e bem-estar social (welfare) são um pilar do capitalismo em muitos países. Elas servem inclusive para manter a estabilidade econômica, dando mais poder de consumo às classes pobre e miserável, aquecendo o mercado como consequência. Essas políticas, se não são acompanhadas do enfrentamento do lucro abusivo por parte de bancos e algum controle sobre grandes setores como o imobiliário, gera problemas a longo prazo (como estamos vendo agora). Para os membros e apoiadores dessa proposta de governo, justamente pelo amparo das acusações ser o desagrado com a gestão econômica e não um forte embasamento jurídico do processo, é golpe. Golpe no sentido de, se o plano político não satisfaz o grande interesse capital, ele deve ser substituído. O aspecto curioso que sustenta essa tese é que dois dias após o impedimento da presidente já se aprovou uma nova legislação que não torna mais o procedimento ilegal. Ou seja, ela foi retirada de seu cargo por supostamente cometer um crime, mas foram mantidos seus direitos políticos, o que é bastante contraditório. Na sequência, aprovou-se que deixe de ser crime, de modo que outros políticos que já usavam as mesmas práticas não pudessem ser também condenados.

Esse tipo processo é mais frequente no Brasil do que as eleições diretas que resultam em presidentes eleitos que concluem seus mandatos. Nada tão novo assim. Justamente por não ser nada tão novo, parte da oposição de Esquerda (com o destaque aqui de que Direita e Esquerda não são hegemônicas e apresentam muitas divergências dentro de seus espectros políticos) e de alguns indivíduos e agentes políticos independentes não acha prudente chamar de “golpe” um processo que é intrínseco ao nosso modelo de democracia representativa. Nós, particularmente, estamos mais próximos dessa visão (e acreditamos que boa parte das células Anonymous mais sérias também estejam).

Porém, é importante entender que ao escolher não chamar de golpe ou admitir que isso é parte do jogo “democrático” não significa que se concorde com o que aconteceu, nem com a forma com que aconteceu. É apenas uma leitura menos “8 ou 80”. Não dá pra dizer que a democracia morreu se ela, de fato, nunca chegou a nascer. Ainda são oligarquias financiadas por elites no poder, o governo ainda existe para beneficiar estes grupos a partir da exploração do povo. E, mais importante, a violência institucional sobre as populações oprimidas permanece.

Nos últimos dias (como em todos os outros), não era a visão ou a vontade do povo que estava em jogo no Senado. Ali estavam presentes a elite conservadora, a elite progressista, a elite social democrata, a elite social liberal, a elite liberal econômica, a elite privatista, a elite reformista, etc. Não tinha povo ali, nem nos últimos dias, nem antes. Nem na condição de juiz, nem na condição de réu.

5. É problema nosso?

Sim. Não pelo que aconteceu em específico, mas porque já era problema nosso e vai continuar sendo. Nós vimos o ex-presidente e atual senador Collor, que também sofreu um impeachment durante seu exercício de cargo, discursar sobre a invalidade jurídica do processo, sobre a manipulação midiática da opinião popular, sobre um golpe arquitetado pela oposição. Ele se referia ao próprio impeachment. E depois de dizer isso tudo, foi lá e votou “sim” pela condenação. Nós vimos a Janaína Paschoal virada no cão alegando que o responsável pela articulação da oposição foi Deus. Nós vimos a base aliada protegendo seu quinhão repetindo discursos vazios cuja tônica era “crime de todos não é crime de ninguém”. Nós ouvimos até mesmo que a justiça no país começou naquele julgamento, porque agora as redes sociais dão poder de fiscalização ao povo sobre a classe política (num país onde metade da população sequer tem acesso à internet!). Tudo errado, não?

Com exceção de um ou outro discurso mais razoável, o Senado nos mostrou que não tem nada diferente da Câmara, nem do restante da classe política do nosso país. É um conluio teatral, disposto a manter os próprios interesses e a própria imagem apenas. Não tinha nenhum amigo da presidente se manifestando ali, tinha gente preocupada com o registro de fala que vai ser feito em seu nome. Porque se isso resultar numa martirização, eles serão lembrados como amigos do mártir. Não era proteção de justiça, era manutenção de poder da própria base (a aliada) porque esse processo resultaria em grande perda de poder político pra eles. E a acusação estava longe de se preocupar com ética, com a Constituição ou com o povo. Era uma rede de proteção, para conquista de mais poder político no país por vias ilegais (o que também não é novo) e blindagem dos seus nas investigações criminais que vinham ocorrendo.

O processo de inquérito e defesa durou cerca de 14 horas, e foi marcado por perguntas vazias que não se relacionavam a uma acusação jurídica e apenas criticavam uma gestão econômica. Traduzindo, até os 5 a 10 minutos que os Senadores tiveram para trabalhar nesse processo foi usado pra fazer propaganda política própria. E então, diante da repetição insistente da mesma pergunta, “mas a senhora não acha que gastou demais?” a acusaram de repetir a mesma coisa nas respostas. Isso não bastasse boa parte dos articuladores do processo estarem, eles mesmos, sendo investigados ou réus em processos.

Na Comissão do Impeachment (primeira instância do processo), 34 dos 65 estavam sendo investigados pelo STF. Dos 513 parlamentares que votaram na primeira sessão, 271 na mesma situação. E da mesma forma, a maioria dos senadores investigados pela Lava Jato votou a favor nessa última instância.

Se aconteceu algum golpe, em nosso entendimento, foi um golpe de realidade na nossa cara. Pra quem ainda estava com dificuldade de enxergar o que é nossa estrutura de poder e como ela funciona, esperamos que tenha ficado mais claro. Mas o que isso significa, afinal? Que não tem nada que possa ser feito por essa democracia, então deixemos isso pra lá e cuidemos de nossa vida?

6. Uma análise Anonymous

… Bem… Meio que… Sim 😐

Mas vamos explicar, pra que não pareça mais um processo alienante. Acreditamos que esteja mais claro, a essa altura do campeonato, porque os nossos títulos de eleitor não valem pra muita coisa. Também acreditamos que já esteja mais claro que a via eleitoral não é capaz de transformar significativamente os quadros políticos em nosso país, porque nas raras vezes em que for possível “votar certo” se isso incomodar quem manda no país, eles vão tirar e fazer todo mundo acreditar que é melhor assim.

As oligarquias brasileiras, que na prática configuram uma plutocracia (ou seja, governo dos mais ricos) têm nas mãos a maior parte das prefeituras, os governos estaduais, o Congresso, o Senado e a presidência. O que nos sobra? No fim, nossas vidas. Se não cuidarmos uns dos outros, não existe mesmo esperança alguma de transformação. Cuidando, na verdade, já não existe muita. Essas estruturas de poder são muito bem consolidadas historicamente, já aprenderam muito a cada rebelião popular sobre como nós funcionamos e o que precisam fazer pra nos colocar no lugar.

Em outras palavras, talvez seja momento de desistir da corrida eleitoral e se organizar por pautas concretas das populações mais oprimidas. É só assim que vamos conquistar alguma igualdade pra que uma democracia faça minimamente sentido. E veja, não estamos falando de igualdade econômica apenas. Não resolveremos as coisas transferindo dinheiro da elite para os mais pobres se antes ou durante esse processo não garantirmos igualdade de direito para todas as pessoas.

A legislação trabalhista, por exemplo, vem sendo massacrada desde o governo anterior, e vai continuar sendo massacrada pelo “novo” governo, com a proteção midiática de ser uma medida necessária pela “maldita herança econômica” do governo “anterior”. Mas isso também é forjado. Meticulosamente planejado. A violência contra negros, mulheres e LGBTs, sempre colocada como secundária, talvez deva ser encarada como prioridade pra que esses grupos possam se inserir nas pautas consideradas mais amplas, uma vez que não precisarem mais se dedicar à própria sobrevivência no combate à violência estrutural específica que sofrem.

A educação talvez precise ser encarada com mais cuidado. Com menos cobrança inocente sobre as autoridades responsáveis, que nada fizeram além de sucatear e encaminhar à privatização. Articular comunidades por esses espaços e ressignificá-los para uma realidade combativa, como alunos secundaristas recentemente fizeram. Mais que isso, a educação deve ser entendida no seu aspecto amplo, não restrita aos muros da escola. Fortalecer mídias alternativas, criar espaços de formação independentes, tudo isso é muito importante.

Não é como se fosse simples. Não é como se estivesse ao alcance de todo mundo. Mas dentro da sua esfera do possível, cada um precisa fazer essa avaliação, sobre o que eu posso e o que eu não posso. Porque dentro das escalas de opressão, existem também níveis de privilégio. Existem algumas pequenas blindagens, imunidades e vantagens por ser branco, por ter um emprego e ganhar bem, por ser homem, etc. E no lugar de usar esse “bônus social hierárquico” pra catequizar as periferias, porque não dedicar-se a emancipar seus arredores, enquanto dá mais espaço de voz e luta a quem mais precisa?

Não há receita pronta, não há mágica possível. Mas há uma necessidade de nos enxergarmos como iguais para buscar igualdade. Perder a mania de cativar massas, perder a mania de querer salvar um povo sem conhecê-lo ou ao menos ouvir o que ele tem a dizer, como se a realidade brasileira fosse uma só, discutível numa reunião pela internet.

Também é preciso maturidade pra ouvir os “vândalos” e entendê-los. A experiência prática de algumas pessoas que ficaram em choque com a violência policial dos últimos protesto na Avenida Paulista contra Temer e o impeachment pareceu ter aberto minimamente os olhos de parte da população que até então defendia o “sem violência” como um princípio inquestionável. Exibe-se com orgulho os relatos de que a democracia acabou porque “agora fui eu quem apanhou” enquanto a insensibilidade não permite perceber que em alguns setores da sociedade essa violência é constante e independente de qualquer manifestação. E não dá pra esperar que a periferia se comova com o relato desesperado de quem, na casa dos 20, estudado e com acesso aos meios de comunicação, com um perfil que comove a opinião pública, apanhou da polícia pela primeira vez. Não ao menos enquanto nessas regiões um saco de pipoca pode ser “confundido” com drogas e justificar tiros pelas costas. Não enquanto, nesses locais, amigos num carro for justificativa pra mais de cem tiros, festa de aniversário for justificativa pra espancamento, chegar tarde em casa seja justificativa pra todo tipo de violência, e os casos são muitos. Por que essa não é a prioridade? Por que entrar em defesa da vítima teatral de uma peça política, mas não entrar em defesa da população massacrada diariamente?

“Mas como assim vítima teatral, FUEL?”

7. Primeiro como tragédia, depois como farsa

É assim que a história se repete.

Antes de mais nada, compreendam que a análise que segue não é comprovada completamente em fatos, apesar de ser baseada na história do nosso país. É um ponto de vista especulativo, e vocês são livres para acreditarem ou não. Mas pedimos, ao menos, que considerem.

A grande política só se faz com base em acordos, alianças e conchavos. Motivo pelo qual não há quem sobre sem rabo preso. Nossa democracia nunca foi bem consolidada. Ou seja, nunca foi bem democracia, o que se sustenta inclusive pelo Índice de Democracia e pelo Índice de Liberdade de Imprensa. Isso não é alvo de atenção pública, mas até mesmo a proclamação de nossa república foi um golpe, no estabelecimento do primeiro regime militar. No Estado Novo tivemos a ditadura de Getúlio Vargas, e então seguiu o golpe de 64. A Lei do Impeachment, a que se recorreu dias atrás, foi criada durante a ditadura com a função básica de remover presidentes caso a Arena perdesse. O que vivemos agora não é radicalmente diferente do que vivemos há várias décadas de política comprada e preestabelecida.

Aprendemos (ou ao menos esperamos que sim) que nosso voto não vale pra absolutamente nada quando ele não converge com o interesse das oligarquias. Quando a gente vota como eles querem, chamam de democracia. Quando vota contra o que eles querem, eles mudam o resultado em nome da democracia.

Então o que raios é essa democracia, senão as regras abusivas de um jogo proposto por quem já estava no poder antes dela e ainda permanece?

Atentando especificamente para o caso de Dilma, talvez nem todo mundo consiga enxergar o que significa quando usamos o termo “acordão” ou nos referimos à política partidária não radical como “centrão acordista”. Vamos explicar um pouco melhor. A cena é mesmo trágica. É horrível de assistir. Nós sabemos disso porque acompanhamos todo o processo, ouvimos cada declaração e quisemos morrer enforcados como todo mundo que fez o mesmo.

Mas boa parte do que está acontecendo com o Brasil aconteceria com ou sem Dilma, com ou sem Temer. Mas com a Dilma, essas medidas de contenção e agressão às leis trabalhistas ainda seriam protegidas por boa parte da esquerda partidária, unicamente por se tratar de um governo petista (alô, UNE e suas organizações estudantis acessórias, também estamos falando de vocês). Ainda estaríamos no ingênuo apego ao “menos pior”, com medo de um grande ditador assumir o país, sem perceber que isso alimenta uma ditadura um pouco mais discreta (essa que chamamos de “democracia”).

Quem mais ganhou com o que aconteceu foi o PT. Sangra-se a presidente publicamente, de modo que a oposição é que viva esse momento econômico arriscado. Quem passa a ser a nova oposição é justamente o partido que teoricamente saiu do poder, e então se torna possível ter um diálogo com movimentos sociais que negaram nos últimos 10 anos ou mais. Na crença de que se está unificando as esquerdas como oposição, esses movimentos sociais aceitam o diálogo e entram no coro: “fora Temer!”. A base aliada se coloca como parte do martírio, chora a democracia derrubada em frente às câmeras e garante apoio e aceitação da chapa quando ela decidir voltar à disputa eleitoral. Dois anos depois, se apresentam, todos, como alternativa democrática aos dois anos de opressão que eles mesmos teriam realizado, estivessem ainda no poder. Com aplausos internacionais.

Dessa forma, um governo “do povo” vendeu todas as suas pautas progressistas em troca de apoio. Vendeu a lei antiterrorismo para a bancada da bala, vendeu a CLT para grandes empresários, vendeu a pauta LGBT e do aborto para a bancada evangélica, vendeu a pauta agrária para a bancada ruralista. Vendeu tudo e saiu de cena, vai deixar o circo pegar fogo na mão de um mais bobo e menos popular. E vai voltar. E vai dizer que “restabeleceu” a democracia. E vai ser verdade, porque a democracia em nosso país é essencialmente esse jogo.

Então agora vamos conversar. É, sim, compreensível o apreço de grande parte da população pelo governo petista. As políticas aplicadas pela mitigação da desigualdade afetaram diretamente e a curto prazo grande parte da população. Mas depois de todo esse processo, conseguimos compreender que a longo prazo o capitalismo é a própria crise? Que na hora que apertar, quem vai ser pisoteado de novo é o pobre e o trabalhador?

Entendido isso, e com Dilma fora da presidência, podemos admitir que esse Estado está pouco se importando conosco e existe pra nos manter sob controle? E que faz isso em razão do poder econômico exercido sobre ele através de seus representantes (não nossos)?

Repetimos a pergunta que fizemos um pouco antes:

“Mas o que isso significa, afinal? Que não tem nada que possa ser feito por essa democracia, então deixemos isso pra lá e cuidemos de nossa vida?”

Mas vamos deixar outra pessoa responder:

“É verdade que, em dia de eleição, mesmo a burguesia mais orgulhosa, se tiver ambição política, deve curvar-se diante de sua Majestade, a Soberania Popular. Mas, terminada a eleição, o povo volta ao trabalho, e a burguesia, a seus lucrativos negócios e às intrigas políticas. Não se encontram e não se reconhecem mais. Como se pode esperar que o povo, oprimido pelo trabalho e ignorante da maioria dos problemas, supervisione as ações de seus representantes? Na realidade, o controle exercido pelos eleitores aos seus representantes eleitos é pura ficção, já que no sistema representativo, o controle popular é apenas uma garantia da liberdade do povo, é evidente que tal liberdade não é mais do que uma ficção.”
[Mikhail Bakunin – A Ilusão do Sufrágio Universal]

No início dessa semana, uma presidente foi deposta de forma injusta, após longo processo de defesa, embora mantendo seus direitos políticos, para que se sustentasse uma estrutura de poder.

Ao longo das últimas décadas, a população negra vem sendo chacinada pela polícia. A população do campo vem sendo chacinada pelo agronegócio. A população indígena vem sendo chacinada pelo governo em nome de um suposto progresso. A população pobre vem sendo explorada pra manter o conforto econômico de elites que não sabem o que é passar dificuldade, pois obtém seus serviços mais básicos fora desse país.

Você vai às ruas em defesa dessa presidente? Ou vai finalmente se reconhecer como parte desse povo e começar a trabalhar por ele?

Pense nisso. Assim que passar o luto, assim que passar o pesar, assim que cessarem as lágrimas de decepção por tanto trabalho honesto dedicado na eleição de um programa no qual você acreditou.

Não é hora de trabalhar diretamente pelos seus?

Somos muitos e estamos em todos os lugares.
Somos um.

Panis et circenses

Difícil ver a transmissão da TV Câmara ontem, 17/04/2016, e permanecer inerte. Tenho tentado me manter neutro em relação ao cabimento ou não do impeachment, por todos esses meses, às vezes pensando que sim, há crime de responsabilidade fiscal cometido por Dilma Rousself, às vezes considerando que não há como destituir um presidente por ter praticado uma conduta reiterada em mandatos anteriores ao seu apenas porque o Tribunal de Contas da União mudou de entendimento. Não é sobre isso que quero falar.

“Constituição da República, art. 1º, parágrafo único. Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.”

Assistir trechos da votação sobre a admissibilidade ou não do processo de impeachment, que agora segue para o Senado Federal, me provocou um sentimento de repulsa sobre nossos representantes. Foi o povo quem escolheu esses deputados federais para representá-lo no Poder Legislativo. Os ideais nobres que pautaram o Estado Democrático de Direito são reduzidos a mini-discursos inflamados por pessoas que aparentemente não entenderam o que estão fazendo na bancada, exceto misturar seus interesses particulares, rasos, vulgares, e transformar seu tempo de votação em mais uma forma de aparecer.

Vociferar para um microfone com escárnio e desdém, enquanto a plateia ou aplaude ou vaia, demonstra que o que acontecia antes, em peso, apenas nos estádios de futebol, também acontece no âmbito político. Enquanto a votação ia chegando ao fim, escutei fogos de artifício, como se o time daquela torcida ganhasse a partida; amigo meu de outro Estado faz uma gravação de áudio de sua janela e, ao escutar, mais fogos de artifício e buzina de carros.

Preocupa-me a falta de conhecimento, reflexão e aprofundamento sobre esse novo campo de interesse do povo brasileiro. A política do pão e circo prevalece forte: basta um espetáculo que mexa com os brios da massa de manobra para o povo, aquele, que se mostra uma extensão dos que estão no Congresso Nacional, achar que ganhou, que o país está a salvo. Salvo do quê, mesmo?

 

Como fazer e usar um caderno?

Criar um caderno, artesanalmente, é algo bastante divertido e interessante de fazer, pois a possibilidade de deixar o “produto” final com a sua cara, e o jeito de utilizá-lo só depende de você.

Ano passado percebi que estava ocupado com muitas coisas: faculdade, trabalho, voluntariado, e estava deixando de lado um tempo para mim mesmo – fazer uma atividade física, “vegetar” na frente da TV apenas para relaxar, ter um hobby… Foi então que, considerando meus gostos pessoais, tive a ideia de fazer algo totalmente diferente e que eu requisitasse minha criatividade para ser concluído. Foi então que, ao acaso, lendo o blog “Art of Manliness“, li sobre como pessoas notáveis do passado usavam cadernos de bolso no seu cotidiano, e decidi fazer o mesmo.

O primeiro passo foi adquirir um caderno, ou caderneta. Uma ida a duas ou três papelarias mais próximas foi o suficiente para eu ver que não tinham à disposição o que eu estava procurando. Minha ideia era ter algo no estilo Moleskine:

Moleskine

Entretanto, os preços dos Moleskines são altíssimos. Pensei que poderia usar meu dinheiro de modo melhor. Foi aí que decidi criar meu próprio caderno, o que se mostrou ser uma experiência bem bacana e barata.

Em primeiro lugar, pesquisei no google algumas palavras-chave: “make your own notebook”, “crafting notebooks” e similares. Encontrei vários tutoriais de sites DIY (do it yourself). Alguns extremamente detalhados e complicados, outros mais simples. Entretanto, o que mais me agradou, pela simplicidade e visual “clean” do caderno, foi este aqui, no blog de alguém chamado Ryan Frankel, que utilizei com algumas modificações.

Em primeiro lugar, precisei comprar um “long reach stapler”, ou grampeador de longo alcance. Estava no litoral quando decidi procurar por um desses, e encontrei da marca Gemnes, custando R$ 50,00, em Itapoá, Santa Catarina:

grampeador

Depois, descobri o site paperkit.net. Estava procurando papel quadriculado para usar no meu caderno, e esse site é muito útil, pois permite que você customize como quer as quadrículas das suas folhas. Basta selecionar suas especificações que será criado um arquivo .pdf com a folha, pronta para impressão. Muito prático!

O passo seguinte é imprimir, em frente e verso, a quantidade de folhas que quiser. Utilizei 12 folhas, o que totalizou 48 páginas no caderno. Cada folha equivale a 4 páginas, pois a ideia é dobrar um A4 ao meio e utilizar a frente e o verso. Em seguida criei a capa do caderno: no Word, configurei a página para o Modo Paisagem (e não retrato, como habitualmente usado para qualquer documento) e montei a capa como achei melhor – note o detalhe do parágrafo, considerando que será uma folha A4 a ser dobrada no meio, portanto o que estiver escrito no lado direito dela será a capa:

capa

O material para impressão pode ser sulfite mesmo, ou um papel kraft, um pouco mais duro e resistente. No meu caso, utilizei o sulfite reciclado, para ter um design diferenciado.

Por fim, juntei as 13 folhas impressas, no total (capa + 12 folhas) e dobrei bem minuciosamente ao meio. Abri novamente e, vendo onde a metade estava, primeiro grampeei no centro, com mais dois grampos acima e abaixo:

IMG_1530Depois dobrei novamente e usei um material pesado e liso para firmar bem a dobra do caderno, esfregando com força. E pronto!

Um hábito que resolvi adquirir neste ano de 2016 é o de anotar aquelas ideias ou pensamentos que estão quase fugindo. Isso já me foi bastante útil várias vezes, pois é comum que, em um momento de distração, aquele pensamento importantíssimo escape.

O site lifehacker traz algumas ideias de como o uso de um caderno pode aprimorar sua vida:

I don’t forget names or phone numbers or other contact information.

If I discover a task that I need to do, it’s immediately saved so I don’t forget about it.

When I have a fleeting idea, I don’t lose it or have to work extra hard to remember it.

I don’t get distracted nearly as much by those fleeting ideas, either.

I’m much better at learning things, both when I plan to or when an opportunity for learning pops up unexpectedly.

My “brainstorming” is much more effective than ever before.

Banho Frio – Energização para o dia todo

Final de julho de 2015 – os dias amanhecem com neblina e, aos poucos, o sol surge imponente em um céu azul límpido. A temperatura, às 07h, entretanto, não passa dos 12ºC lá fora. Um ótimo momento para um banho frio.

Acho que todo mundo, em algum momento da vida, já entrou em uma ducha gelada e levou um choque instantâneo: o coração acelerou, os olhos arregalaram, os dentes trincaram, a respiração ofegou e a necessidade de fuga era emergencial.

O objetivo desse post é mostrar porque passar por enfrentar essa situação, ao invés de fugir dela, vai te deixar uma pessoa melhor. Também conhecido como “Chuveirada do James Bond”, ou “Banho Escocês”, o banho frio é uma técnica revigorante há tempos conhecida e praticada.

JamesBond

Os benefícios

Os benefícios são variados, cito aqui alguns que encontrei em uma breve pesquisa:

1. Vigor corporal que o contato da pele com a água fria (ou gelada) produz imediatamente. A sensação de se estar alerta é nítida. Espanta o sono, a preguiça, é uma injeção de ânimo.

2. Melhoria do humor: jatos de água gelada no corpo estimulam o cérebro a produzir noradrenalina e dopamina, envolvidas com a atenção, alerta, humor e memória. Ou seja, um banho frio aumenta a produção destes neurotransmissores: motivação, foco e produtividade são as recompensas.coldshowerguy

3. Aumento dos níveis de testosterona: aumento da libido, da força e energia fazem parte do pacote que um banho frio proporciona.

4. Saúde da pele e do cabelo agradecem: água quente acaba ressecando tanto a pele quanto o cabelo; a água fria, pelo contrário, deixa seu aspecto no geral mais saudável.

A técnica

Mas e como começar com os banhos frios? Dificilmente alguém que tomou banhos quentes a vida toda, de um dia para o outro, vai girar o registro até o máximo na água gelada! O segredo está em, aos poucos, criar uma situação de transição para então dar o choque térmico no corpo.

Iniciei assim: entro no chuveiro com a água em temperatura morna, aproveito para lavar o corpo com sabonete por alguns minutos e então esfrio um pouco a temperatura da água. Passo o shampoo  no cabelo, esfrego e então viro o registro para o frio. Nos primeiros segundos o tempo para, e quando a vontade é de sair, a determinação para ficar deve vencer. Ao invés de se encolher e contrair os músculos, o segredo é inflar o peito e relaxar, aproveitando tudo que aquele momento tem a oferecer (vide acima).

Quando dominar a situação, é hora de terminar: enxague toda a espuma do shampoo e do sabonete na água fria e, com um sorriso estampado no rosto, feche o registro e comece o dia tinindo.

Muhammad Yunus

Interessante artigo encontrado na Revista Trip, do portal UOL. Reproduzo aqui a entrevista com Muhammad Yunus, indiano ganhador do Nobel da Paz, que criou uma nova lógica para os bancos:

Muhammad Yunus, o ”banqueiro dos pobres”, quer estimular os jovens a empreender mais – e convencer grandes empresários a abrir mão de lucros. Vai dar certo?

Muhammad Yunus em retrato feito durante sua passagem por São Paulo, em maio

Muhammad Yunus em retrato feito durante sua passagem por São Paulo, em maio

O economista Muhammad Yunus é conhecido no mundo todo como “o banqueiro dos pobres”. Por meio do Grameen Bank, que ele fundou em 1983 em Bangladesh, Yunus espalhou em escala internacional o conceito do microcrédito: empréstimos feitos, sem garantias ou papéis, a gente pobre que nunca antes teve acesso ao sistema bancário. Tal fomento ao empreendedorismo, sobretudo entre mulheres, e seus resultados efetivos lhe renderam, entre outros prêmios, o Nobel da Paz em 2006. Também transformaram Yunus em um dos oradores mais requisitados do planeta, inclusive em eventos lotados de empresários e banqueiros que ele critica sem censura.

Há dois meses ele esteve no Brasil para promover a Yunus Negócios Sociais, braço brasileiro da Yunus Social Business Global Initiatives, espécie de incubadora de negócios sociais – como são chamadas empresas criadas para resolver problemas sociais, e não exatamente gerar lucro para acionistas. Durante a passagem por São Paulo, ele falou à Trip sobre essa trajetória e sua crença de que esse tipo de negócio é um modo eficaz de repensar o sistema econômico vigente – do qual critica a concentração de renda em níveis absurdos e a própria lógica de que as pessoas precisam passar a vida procurando emprego. “O ser humano não nasceu para isso”, diz ele, um defensor pioneiro da ideia, tão em voga hoje, de que é melhor seguir o próprio caminho do que ser um funcionário.

“Lidar com teorias econômicas diante de pessoas morrendo [de fome], para mim era uma piada”

Em Daca, capital e maior cidade de Bangladesh, Yunus mora com a mulher e a filha mais nova (a mais velha, que acaba de lhe dar o primeiro neto, vive em Nova York) no mesmo conjunto de prédios onde está a sede do Grameen Group, com suas mais de 50 empresas. Em boa parte do tempo, viaja pelo mundo com palestras e consultorias que lhe dão uma rotina atribulada, da qual diz não se cansar, mesmo aos 75 anos de idade. “Eu gosto disso. Sem essa rotina eu estaria terrivelmente entediado. Não sei o que fazer comigo mesmo quando não estou ocupado.”

A seguir, oito trechos da conversa que deixam claro que, para Yunus, o que falta ao mundo é olhar mais para o próximo e trabalhar pela prosperidade coletiva. Uma visão mais amorosa, pode-se dizer.

Yunus em 1976, quando começou as ações que deram forma ao Grameen Bank

Yunus em 1976, quando começou as ações que deram forma ao Grameen Bank

UM NOVO CAPITALISMO

“Há 85 pessoas no mundo que têm mais da metade de toda a riqueza do planeta. Já a metade mais pobre da população mundial detém menos de 1% desses recursos. Que mundo é esse? Minha luta tem sido contra essa estrutura. As pessoas não podem fazer nada além de tocar o barco como foi concebido. Luto por uma nova máquina, por alternativas, por um movimento contrário. A estrutura que existe não vai resolver nosso problema. A disparidade de renda só piora, a riqueza se concentra em pouquíssimas mãos. Conheço empresa que ficou cem vezes maior em sete anos, e o número de funcionários só diminui. Inclusive por causa de tecnologia, eficiência. O que vai acontecer com todas essas pessoas sem trabalho? Se a Europa, a parte mais próspera do mundo, vive isso, o que acontece em economias menores? Temos que redesenhar o sistema capitalista. Tudo o que dizem é ‘faça dinheiro, seja feliz’. Mas aí você ganha us$ 1 bilhão e não faz nada pelos outros. Para que serve us$ 1 bilhão? ‘Ah, dei emprego a muita gente.’ Sim, e pegou a riqueza para você. Concentração é tudo o que você produziu.”

EMPREGO: ESQUEÇA ESSA IDEIA

“Uma questão essencial está na ideia de emprego. Quem disse que nascemos para procurar emprego? A escola? Os professores? Os livros? Sua religião? Seus pais? Alguém colocou isso na cabeça das pessoas. O sistema educacional repete: ‘você tem que trabalhar duro’. Seres humanos não nasceram pra isso. O ser humano é cheio de poder criativo, mas o sistema o reduz a mero trabalhador, capaz de fazer trabalhos repetitivos. Isso é vergonhoso, está errado. As pessoas precisam crescer sabendo que é uma opção se tornar empregado, mas que existe a possibilidade de ser empreendedor, seguir o próprio caminho. É arriscado, incerto, há frustrações, mas é bem mais estimulante. Arrumar emprego é o que é seguro, garantido. Mas sua vida será limitada ao que decidirem por você.

“Não somos robôs fazedores de dinheiro. A vida não pode ser reduzida a uma busca egoísta como essa” 

TEORIA VERSUS REALIDADE

“Meu pai era um pequeno comerciante. Admirava a educação, mas não pôde ir além do oitavo ano na escola. Minha mãe foi até o quarto ano. Somos sete irmãos e duas irmãs, e todos decidimos por conta própria o que fazer. Oportunidades surgiram, empregos me foram oferecidos, e eu não aceitei. O único emprego que tive foi o de professor – porque eu queria ensinar. Não me empolgou a possibilidade de carreira, salário, mas o espaço para pensar, criar. E, quando chegou a hora, comecei o negócio do microcrédito. O isolamento da universidade sempre me irritou. Qual a utilidade do conhecimento se ele não chega às pessoas? Em Bangladesh, tínhamos pessoas morrendo de fome. Faz sentido ensinar teorias tão bonitas, das quais somos tão orgulhosos, e elas não terem o menor significado na vida de quem não pode comer? Há muitas maneiras de morrer, mas a fome é uma das mais dolorosas. Lidar com teorias econômicas diante de pessoas morrendo assim era uma piada.”

Com mulheres de Bangladesh, nos anos 1980. Foi para artesãs que ele concedeu os primeiros empréstimos, no valor de US$ 27

Com mulheres de Bangladesh, nos anos 1980. Foi para artesãs que ele concedeu os primeiros empréstimos, no valor de US$ 27

CONTRA OS BANCOS

“Fico furioso com agiotagem. Como um ser humano pode ser tão cruel com outro? Vi situações dramáticas de pessoas devendo dinheiro. Então comecei a emprestar, para que parassem de procurar exploradores. Eram quantias mínimas – o primeiro empréstimo foi de us$ 27. O problema é que meu dinheiro foi acabando. Fui a uma agência bancária no próprio campus da universidade onde eu lecionava e pedi ajuda ao gerente. A resposta: ‘Isso é problema seu’. Começou aí meu confronto com bancos. Ouvi explicações absurdas sobre por que não dar crédito a gente pobre. Até que entendi: eu deveria ter um banco. Um banco que fizesse um bom trabalho pelas pessoas. Foi o que inventei em 1983: o Grameen Bank. Diziam que era um fenômeno local, que só funcionaria em Bangladesh. Fomos à Malásia, a convite de pessoas de lá, e deu certo. Disseram: ‘é um fenômeno de países muçulmanos’. Fomos às Filipinas, país católico. Passaram a dizer: ‘é um fenômeno asiático’. Explicações e mais explicações vieram, sempre para proteger a ideia de que o sistema continua certo – e você apenas inventou algo que não vale para o mundo. Em 2006 vem o prêmio Nobel. Nem assim o sistema muda.”

DESENVOLVIMENTO?

“Na crise de 2008, eu estava em Nova York. Vendo as notícias sobre o colapso, os escândalos, lembrei daquele gerente que procurei e pensei: quem merece crédito, afinal? Quem está dando calote? Os pobres a quem empresto dinheiro me devolvem cada centavo. Temos oito agências em Nova York, com 30 mil clientes, e nenhuma inadimplência. Então, por que continuar teimando? Por que ensinar na universidade o que é sistema bancário sem se perguntar por que mais da metade da população do planeta não tem nada a ver com bancos? Construir rodovias é medida de desenvolvimento? Para mim, não existe desenvolvimento se pessoas têm uma única muda de roupa. Ou se só fazem uma refeição ao dia.”

RESOLVENDO PROBLEMAS

“Em determinada época, percebi que crianças de muitas famílias não conseguiam enxergar à noite. Vi isso em diferentes lugares: crianças que não veem nada depois que o sol se põe. Médicos me disseram: ‘Isso é uma doença chamada cegueira noturna, causada por falta de vitamina A. Se tomarem comprimidos ou tiverem alimentação rica em vegetais, voltam a enxergar’. Voltei a algumas famílias e expliquei a importância de comer vegetais. ‘Ah, não é simples encontrar vegetais’, diziam. Tive a ideia de vender pequenos pacotes de sementes, a 1 centavo. Gradualmente, foram comprando e plantando. O Grameen Group passou a ter um negócio de sementes. Em sete anos, nos tornamos o maior vendedor de sementes do país. E a cegueira noturna foi erradicada. É essa a ideia do negócio social.”

Yunus durante uma palestra do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, em 2010

Yunus durante uma palestra do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, em 2010

ISSO É NEGÓCIO, SIM

“Muita gente diz que isso não é um negócio de verdade. Se não tem lucro, não é negócio. De onde vem essa definição? É negócio, sim. É decisão minha não ter lucro. Se a teoria não se encaixa no que eu criei, não sou eu quem está errado; é a teoria. O capitalismo é uma ideia maravilhosa, porque dá opções. O problema está na ideia de que é preciso maximizar lucros e que só isso é aceitável como negócio. Não somos robôs fazedores de dinheiro. A vida não pode ser reduzida a uma busca egoísta como essa. Outra lógica é possível e há empresas interessadas. O chairman da Danone me procurou dizendo que queria resgatar os ideais de seu pai – e não apenas tocar uma corporação mais preocupada com o valor das ações. Nasceu aí um negócio social: um iogurte muito barato, com os nutrientes de que uma criança precisa diariamente, vendido de porta em porta, por gente que não tinha trabalho em Bangladesh. A Danone não terá lucro com isso: apenas recupera o que foi investido e nada mais. Você pode não morrer de amores por esse modelo – e eu quero discussão, quero ouvir críticas. Mas não pode simplesmente dizer ‘não funciona’ ou ‘não é real’.”

NOVAS GERAÇÕES

“Tenho falado muito, em diferentes países, a convite de empresários, banqueiros. Então creio que estejam prestando atenção ao que eu digo. Se me odiassem, me manteriam longe. Não odeio os banqueiros, as pessoas, apenas digo: ‘Não é possível continuar agindo assim’. E estão entendendo. Talvez ainda haja uma diferença entre a imagem pública e o que pensam. Muitos chegam em casa e são criticados pelos filhos. Porque as novas gerações estão espalhando essas mensagens. Viajo muito, é uma rotina corrida, mas a energia das pessoas, particularmente as mais jovens, me renova. Quando vejo essa gente respondendo ao que digo, se inspirando, querendo fazer alguma coisa, tudo faz sentido. Quando estou longe de casa, no Brasil, na Colômbia, no Chile ou na China, e vejo que as pessoas conhecem o que eu disse, o que eu fiz, esqueço as horas de sono perdidas, o jetlag. São sementes sendo espalhadas, que um dia vão germinar. Algumas podem se tornar árvores gigantes. Quem sabe?”

Qual o melhor formato de arquivo para ler no Kindle?

Post muito interessante que encontrei no blog “Vida Sem Papel”, que reproduzo aqui com os devidos créditos – você pode ler o original aqui: http://www.vidasempapel.com.br/

Qual é o melhor formato de arquivo para ler no Kindle?

Se você é usuário do Kindle, já deve saber que além dos ebooks comprados no site da Amazon, você pode também ler seus arquivos pessoais neste e-reader. Um pergunta que leitores costumam fazer é qual formato de arquivo é o melhor para ler no Kindle. É sobre isso que vou falar neste artigo.

O que faz um formato de arquivo ser melhor do que o outro

Para você, o que é um ebook? Um livro em formato digital, é isso? Sim, é isso mesmo. Só que quando falamos em formatos de arquivo de ebooks, essa definição passa a englobar muita coisa.

Por exemplo, ao pé da letra, um simples arquivo texto (formato TXT) pode ser considerado um ebook. No entanto, se você colocá-lo para ler no seu e-reader, ou mesmo no computador, você vai perceber diferenças consideráveis ao compará-lo com outros formatos, como o PDF.

No arquivo texto, você não tem links, por isso você não encontrará um índice ou sumário que te leve diretamente a capítulos específicos, ou mesmo títulos ou formatações básicas, como negrito.

No caso do arquivo PDF, já é o outro extremo. Ele está formatado e “engessado” ao nível da página, ou seja, cada página é uma imagem do que seria no papel. Se você quiser lê-lo no seu computador, ótimo. Ele deixa o ebook muito bonito visualmente. Se quiser lê-lo em outro lugar, como no e-reader ou no smartphone, que possuem telas menores, isso pode ser um problema, já que o formato PDF não permite mudar o tipo ou tamanho da fonte, ou mesmo rearranjar as páginas para leitura. Uma página é aquilo e acabou, não tem como mudar.

A exceção aqui vale para alguns leitores em smartphones que permitem captar o texto de um arquivo PDF e mostrá-lo fora da formatação original, permitindo assim maior flexibilidade na divisão de páginas. Mas isso é uma funcionalidade de aplicativos específicos devido à rigidez da formatação nativa do formato PDF.

O que eu costumo chamar de formatos tradicionais de ebooks, como o conhecido EPUB e o MOBI, são formatos que procuram ficar entre os dois extremos que eu citei:

  • Eles trabalham com o texto sem engessá-lo com formatações como o formato PDF. O texto flui livremente, permitindo uma melhor experiência de leitura.
  • Eles aceitam links que permitem o uso de índices, sumários, notas de rodapé, etc, de forma que o leitor ao clicar num link seja levado a outro ponto do texto de forma rápida.
  • Eles não engessam o formato das páginas, que podem ser montadas dinamicamente. Ou seja, num smartphone, com tela menor, cada página contém menos palavras do que um tablet que possui tela maior. Isso é feito pelo aplicativo ou pelo e-reader onde você lê o ebook, e não no arquivo como é o caso do PDF.
  • Estes formatos estão evoluindo e tornando-se mais poderosos do que os formatos tradicionais. Por exemplo, o formato EPUB3 (uma nova versão do EPUB) suporta até multimídia, como áudio e vídeo embutidos no ebook.

Formatos de arquivo que são suportados no Kindle

Segundo o site da Amazon, os formatos de arquivo suportados no Kindle são:

  • Documentos: Kindle (.AZW, .AZW1, .AZW3). Text (.TXT), Mobipocket sem DRM (.MOBI, .PRC)
  • Audiobooks: Audible (.AA, .AAX)
  • Música: MP3 (.MP3)

Desta lista, somente o primeiro item se refere a ebooks. A partir da segunda geração do Kindle, ele também passou a suportar nativamente o formato PDF.

Estes são os formatos suportados nativamente, que não exigem conversão. Você pode copiar um arquivo num destes formatos diretamente para o seu Kindle usando o cabo USB, sem precisar convertê-lo.

Se você usar o recurso de Documentos Pessoais, onde você envia arquivos para a Amazon por email ou através do aplicativo Send to Kindle, você poderá utilizar mais formatos, pois a Amazon se encarregará de fazer a conversão destes formatos para você. Neste caso, os formatos suportados são:

  • Microsoft Word (.DOC, .DOCX)
  • HTML (.HTML, .HTM)
  • RTF (.RTF)
  • JPEG (.JPEG, .JPG)
  • Kindle (.MOBI, .AZW)
  • GIF (.GIF)
  • PNG (.PNG)
  • BMP (.BMP)
  • PDF (.PDF)

Note que os formatos MOBI e AZW que aparecem nesta lista não requerem conversão, pois são suportados nativamente no Kindle.

Vale lembrar também que se o arquivo possuir DRM (com exceção dos ebooks comprados pelo próprio usuário na Amazon), ele não poderá ser lido no Kindle. É o caso de ebooks comprados em outras lojas que usam proteção nos arquivos.

Se você puder escolher, qual é o melhor formato de arquivo para ler no Kindle?

Como eu expliquei anteriormente, quando se trata de ebooks, os melhores formatos são o EPUB e MOBI. Curiosamente, a Amazon não incluiu o suporte ao popular formato EPUB no Kindle, em nenhum dos modelos ou no aplicativo. Portanto, o melhor formato para ler no Kindle que você tem ao seu alcance, dentre os que ele suporta, é o MOBI.

Vale mencionar que o Kindle suporta um formato nativo chamado AZW, que é o formato usado pelos ebooks comprados na Amazon. Ele é também um excelente formato para o Kindle, mas eu não conheço nenhuma ferramenta gratuita que gere arquivos neste formato. Então, na prática, o MOBI é o melhor formato que temos ao nosso alcance gratuitamente.

Como converter formatos para ler no Kindle

Se você tiver arquivos EPUB que você quer ler no Kindle, basta convertê-los para o formato MOBI usando o Calibre. Para isso, siga as instruções do tutorial Como converter ebooks para o Kindle e outros formatos. No caso da conversão do EPUB para o MOBI, geralmente o resultado é muito bom, pois são formatos bem próximos (a menos que o ebook contenha recursos de multimídia).

Você pode usar o Calibre (seguindo as instruções do tutorial que mencionei acima) para converter vários outros formatos para MOBI. Note que, dependendo do formato de origem, esta conversão pode apresentar alguns problemas.

Isso costuma acontecer na conversão de arquivos PDF (independentemente da ferramenta usada). Como eu expliquei, o PDF é um formato engessado. Ele determina como será o visual da página, incluindo cabeçalho, numeração da pagina, rodapé, e por fim o conteúdo, com quebras de linhas e parágrafos.

O maior problema é que nós humanos conseguimos com facilidade distinguir todos estes elementos da página, mas os softwares não tem esta facilidade. Eles tem dificuldade em saber o que é o título, quando começa o corpo do texto, quando um parágrafo termina e começa outro, e coisas assim, que nós distinguimos no visual.

Isso acarreta problemas na conversão, onde a quebra de parágrafos fica bagunçada, trechos do cabeçalho e rodapé aparecem no meio do corpo do texto, e por aí vai. A boa notícia é que o Calibre é um excelente conversor, e te permite ajustar inúmeros detalhes da conversão para obter melhores resultados com arquivos PDF. O problema é que este ajuste acaba sendo na tentativa e erro, já que os valores ideais mudam de arquivo para arquivo.

Os problemas diminuem bastante quando a conversão é de outros formatos como HTML, RTF, DOC/DOCX, e costumam produzir resultados muito melhores. É importante ressaltar que o Calibre não suporta o formato DOC/DOCX, por isso não é possível usá-lo para converter este formato. Se você tiver arquivos neste formato e quiser lê-los no Kindle, envie seus arquivos para o Kindle por email, e a Amazon fará a conversão. Se quiser usar o Calibre, para guardar uma cópia do arquivo convertido na sua biblioteca, você precisará gerar no próprio Microsoft Word um arquivo no formato HTML ou RTF, e usar este novo arquivo para conversão no Calibre.

Quanto ao formato PDF, como o Kindle o suporta nativamente, dê preferência a lê-lo sem convertê-lo. Faça a conversão apenas se você não conseguir um bom resultado na leitura do mesmo nativamente. E se precisar fazer a conversão, consulte esta série de artigos que eu escrevi sugerindo aplicativos para fazer esta conversão.

Análise sobre a morte de Robin Williams e outros comediantes

Após a morte de Robin Williams, por asfixia (suicídio), David Wong, editor do site Cracked.com, que sempre escreveu artigos humorísticos, analisa o uso da comédia como barreira contra outras pessoas. Texto retirado daqui na íntegra.

Robin Williams and Why Funny People Kill Themselves

“You ever have that funny friend, the class-clown type, who one day just stopped being funny around you? Did it make you think they were depressed? Because it’s far more likely that, in reality, that was the first time they were comfortable enough around you to drop the act.The ones who kill themselves, well, they’re funny right up to the end.By now you know that Robin Williams has committed suicide, but I’m not here to talk about him. He’s gone, and you’re still here, and suicidal thoughts are so common among our readers and writers that our message board has a hidden section where moderators can coordinate responses to suicide threats. And in case you’re wondering, no, that’s not a joke — I remember the first time John tracked down a guy’s location and got an ambulance dispatched to his house. Then we all sat there, at 4 in the morning, waiting to hear if they got there in time (they did).Because Cracked is driven by an army of aspiring comedy writer freelancers, the message boards are full of a certain personality type. And while I don’t know what percentage of funny people suffer from depression, from a rough survey of the ones I know and work with, I’d say it’s approximately “all of them.” So when I hear some naive soul say, “Wow, how could a wacky guy like [insert famous dead comedian here] just [insert method of early self-destruction here]? He was always joking around and having a great time!” my only response is a blank stare.

That’s honestly the equivalent of “How can that cow be dead? She had to be healthy, because these hamburgers we made from her are delicious!”

So I don’t know Robin Williams’ situation, and I don’t need to — I can go scoop up an armload of examples without leaving my chair. As one of the head guys at Cracked, I’m surrounded by literally hundreds of comedy writers, and I inhabit the body of one. Kristi Harrison recently wrote about the psychological dark side of being funny, and was speaking from experience. Or, here’s John Cheese talking about his recent adventures on antidepressants. Here’s Mark Hill on his depression, here’s Dan O’Brien on his social anxiety, here’s Tom Reimann on his, and here’s C. Coville on the same. Here’s Mara Wilson on having an anxiety disorder, here’s Felix Clay on regret, here’s Gladstone on emotional trauma, and Adam Brown on almost dying from cough syrup addiction. Those are just the ones off the top of my head. You get the idea.

Now do you want me to tell you how many messages/comments/emails we get from fans telling a writer to “kill yourself” because said writer wrote a joke they didn’t like? When I ban them, they always act confused as to why.

“What, you’re saying Cracked writers are a bunch of tortured literary geniuses? You write boner jokes in list form, for Christ’s sake!”

Yeah, and Chris Farley just made wacky slapstick movies about a fat guy who falls down a lot, right up until he stopped his own heart with a drug cocktail. The medium has nothing to do with it — comedy, of any sort, is usually a byproduct of a tumor that grows on the human soul. If you know a really funny person who isn’t tortured and broken inside, I’d say A) they’ve just successfully hidden it from you, B) their fucked-uppedness is buried so deep down that even they’re in denial about it, or C) they’re just some kind of a mystical creature I can’t begin to understand. I’m not saying anything science doesn’t already know, by the way. Find a comedian, and you’ll usually find somebody who had a shitty childhood.

Here’s how it works for most of us, as far as I can tell. I’ll even put it in list form, because who gives a fuck at this point:

1. At an early age, you start hating yourself. Often it’s because you were abused, or just grew up in a broken home, or were rejected socially, or maybe you were just weird or fat or … whatever. You’re not like the other kids, the other kids don’t seem to like you, and you can usually detect that by age 5 or so.

2. At some point, usually at a very young age, you did something that got a laugh from the room. You made a joke or fell down or farted, and you realized for the first time that you could get a positive reaction that way. Not genuine love or affection, mind you, just a reaction — one that is a step up from hatred and a thousand steps up from invisibility. One you could control.

3. You soon learned that being funny builds a perfect, impenetrable wall around you — a buffer that keeps anyone from getting too close and realizing how much you suck. The more you hate yourself, the stronger you need to make the barrier and the further you have to push people away. In other words, the better you have to be at comedy.

4. In your formative years, you wind up creating a second, false you — a clown that can go out and represent you, outside the barrier. The clown is always joking, always “on,” always drawing all of the attention in order to prevent anyone from poking away at the barrier and finding the real person behind it. The clown is the life of the party, the classroom joker, the guy up on stage — as different from the “real” you as possible. Again, the goal is to create distance.

You do it because if people hate the clown, who cares? That’s not the real you. So you’re protected.

But the side effect is that if people love the clown … well, you know the truth. You know how different it’d be if they met the real you.

I get a dozen messages a week from people telling me they love me, I get a few a month from people saying they want to meet me in person. You know, kind of like how they watch an episode of The Walking Dead and decide they want to live in a zombie apocalypse. Trust me, kid, you wouldn’t like it.

But there’s more. The jokes that keep the crowd happy — and keep the people around you at bay — come from inside you, and are dug painfully out of your own guts. You expose and examine your own insecurities, flaws, fears — all of that stuff makes the best fuel. So, Robin Williams joked about addiction — you know, the same addiction that pretty much killed him. Chris Farley’s whole act was based on how fat he was — the thing that had tortured and humiliated him since childhood. So think of my clown analogy above, only imagine the clown feeds on your blood.

(Jesus, that’s going to give me nightmares, and I have a side job writing horror.)

I keep mentioning Chris Farley for a reason — in the end, he was so alone that he was hiring prostitutes just to hang out with him. Here’s an account of how his last days played out:

“Farley partied for four straight days, smoked crack and snorted heroin with a call girl, then took her back to his apartment. When they argued about money, she got up to leave. He tried to follow but collapsed on the living room floor, struggling to breathe. His final words were ‘Don’t leave me.’ She took pictures of him, stole his watch, wrote a note saying she’d had a lot of fun, and left. He died alone.”

In this case, the clown was a hilarious fat guy playing a Beverly Hills Ninja. Back behind the wall, the real person was a scared, lonely, awkward fat kid who couldn’t even pay someone to hold his hand when he died. “Don’t leave me.”

So, yeah, if you’re out there and are feeling down, here’s the national suicide hotline. I’ve been told it’s great, by the numerous people I know who’ve called it. But I guess my larger point is that if you know somebody who might be at risk but you’ve been denying it because they’re always smiling and joking around, for the love of God, wake the fuck up. They don’t know how to ask for help because they don’t know how to relate, because when you’ve lived behind that wall long enough, you completely lose the ability. “Well, I tried to help him, but he was kind of a dick about it.” Right, that’s what it looks like. “But I don’t know how to do a suicide intervention!” Nobody is asking you to. How about this:

Be there when they need you, and keep being there even when they stop being funny. Every time they make a joke around you, they’re doing it because they instinctively and reflexively think that’s what they need to do to make you like them. They’re afraid that the moment the laughter stops, all that’s left is that gross, awkward kid everyone hated on the playground, the one they’ve been hiding behind bricks all their adult life. If they come to you wanting to have a boring-ass conversation about their problems, don’t drop hints that you wish they’d “lighten up.” It’s really easy to hear that as “Man, what happened to the clown? I liked him better.”

As for me, I haven’t thought about suicide in a long time, not since high school, when a guy talked me out of it, though to this day I doubt he realizes it. So, I lived on to wind up with a job where one of my tasks is to ban people who follow him from one comment section to another telling him he’s not funny and should kill himself. Is that … irony? Shit, I don’t think English has a word for what that is.

Anyway. Rest in peace, Robin. You’ve given us a chance to talk about this, and to prove that this has nothing to do with life circumstances — you were rich and accomplished and respected and beloved by friends and family, and in the end it meant jack fucking shit.

__

Estado Islâmico e Estados Unidos

Poucas horas após ler sobre a história contada por alguns jornais sobre Islam Yaken, um jovem egípcio que viajou para a Síria e se converteu a jihadista (link aqui – Egyptian Streets) me deparo com a notícia de que Obama autorizou ataques aéreos no Iraque para ‘impedir genocídio’ (link aqui – Folha).

Fiquei bastante curioso com a figura de Yakem Islam e fui conferir sua conta no twitter (link aqui – Twitter). Alguns pontos que levo em consideração nessa minha análise, pois achei muito interessante pensar no que levou o recém formado bacharel em Direito, trilíngue, a largar tudo que tinha para se tornar guerrilheiro:

1. Era aficionado pelo próprio corpo físico, tanto que a maioria de seus posts mais antigos era sobre rotinas de exercícios e fotos, um aspecto que demonstra sua vaidade. Será que ele sofreu alguma lavagem cerebral para mudar tão radicalmente assim? Será que continua se exercitando? Minha dúvida é no sentido de que pessoas obcecadas com algum tema que envolve a vaidade dificilmente o abandonam de modo absoluto, em pouco tempo. Vide casos de anorexia, vigorexia, pessoas metrossexuais etc.
2. Outra coisa a se considerar é seu aspecto fisiológico – para ele ter aquela constituição física e constantemente estar se esforçando para ser mais forte, seu nível de testosterona, imagina-se, deveria ser bastante elevado; será que a guerrilha é um modo de compensar a sensação que ele tinha antes?

O Oriente Médio está há anos-luz de ser uma região pacífica, com inúmeros grupos buscando o poder, utilizando a religião e a guerra para esse fim.

A segunda reportagem a que me referi anteriormente, sobre o presidente dos Estados Unidos, revela a insistência daquele país em manter o vínculo com o Iraque e região.

O mesmo grupo do qual Yakem agora faz parte, o Estado Islâmico, já tomou 17 cidades iraquianas (informação que li em 09 de agosto/2014) e mais de 40.000 pessoas tiveram que deixar suas vilas e fugir, para não serem exterminadas. Segundo a Folha, “John Kerry, secretário de Estado dos EUA, disse que os atos grotescos dos radicais sunitas acendem todos os alertas de genocídio” e que “os EUA estão liderando enquanto o mundo fica parado vendo inocentes morrerem”.

Alguns dos comentários da página da Folha de onde retirei esses trechos são bem enfáticos e diretos ao ponto: “Será que Obama vai autorizar ataques aéreos a Israel para impedir o massacre dos palestinos?” e “Já há um genocídio ocorrendo em Gaza, mas Obama autoriza um outro genocídio para impedir um novo genocídio”.

A necessidade da pacificação é cada vez mais urgente.

Desconexão interconsciencial

 Conforme lido em Info:

Casal chinês vende filhos para manter vida em jogos online

Segundo o site Games In Asia, o casal A Hui e A Mei, vendeu seu segundo filho para sustentar o vício do pai em games online. A esposa disse a uma TV local que a maior parte da renda da família era direcionada para comprar itens nos jogos, e que os dois achavam que não teriam condições de manter essa vida e criar o filho – então preferiram vender a criança.

Hui e Mei já haviam feito isso antes: a primeira gravidez do casal foi indesejada e eles “não tinham intenção de dar apoio financeiro” à criança, o que fez com que a vendessem para mercadores de bebês locais.

O tráfico de seres humanos é crime punível com morte na China. Crianças compradas dessa forma são revendidas para outros casais dentro do país e até orfanatos, para que as crianças possam ser adotadas por famílias do exterior. O país também tem um sério problema de vício em jogos online, assim como a Coreia do Sul.”

Este é um comportamento que revela alguns traços de personalidade patológicos. Trata-se de uma consciência com um nível de fechadismo consciencial altíssimo, portando um transtorno holossomático já bastante exacerbado, oriundo da desconexão entre mentalsoma e psicossoma: não existe conscienciofilia; o nível de egoísmo do pai da criança é tamanho que enxergou os próprios filhos como mercadorias para alimentar seu próprio vício. E qual o papel da mãe nisso? É o de alguém que não soube como assistir o companheiro, ou não encontrou modo de se conectar àquela consciência. Tornou-se cúmplice e submissa a seu comportamento.

O parágrafo final do texto traz a informação de que a China e a Coreia do Sul são países com problema sério de vício em jogos online; em locais com alto desenvolvimento tecnológico, em que a indústria da dispersão (games) é expressiva, pode acontecer de não ser dada a devida importância a outros serviços essenciais à população, como o desenvolvimento de programas sociais de prevenção contra o exagero naquele ramo do mercado.

A consequência de uma sociedade em que o lado social  não acompanha o desenvolvimento tecnológico é justamente essa desconexão interconsciencial: cada indivíduo se fecha cada vez mais em si mesmo.